Talvez haja um dia em que para além das minhas asas voarei
E consiga enfim no fundo do tempo...adormecer serenamente
Com o silêncio preso nas mãos...esse nada a que me entreguei
Num caminho sem retorno que me levará além do sol poente
Talvez haja um dia em que a noite em mim serena amanheça
Haverá talvez um lugar onde nos podemos de novo encontrar
Sem que o passado nos lembre mágoas...talvez a alma esqueça
Talvez meu amor...eu escreva um poema que fale do teu olhar
Talvez haja um dia que deixe de saber de mim e te reencontre
Abraçado à minha sombra...das minhas recordações desvanecido
Talvez um dia de mim parta procurando a menina que fui ontem
E vestida de madrugada...talvez encontre o meu corpo esquecido
Talvez haja um dia que esteja em mim de corpo e alma despida
E num doce momento nas mãos nuas do vento me deixe embalar
Para lá desse abismo onde o tempo parou no crepúsculo da vida
E aí...olhemos as mesmas estrelas e o meu olhar seja o teu olhar
Talvez haja um dia que do outro lado do espelho me veja criança
Com o olhar cheio de azul e correndo de cabelos soltos ao vento
Talvez aí...das minhas mãos nasçam rosas vestidas de esperança
E numa taça de ouro fino...brindemos serenos à morte do tempo
Talvez haja um dia em que nos brancos lençóis da madrugada
Consiga ainda encontrar um raio de sol...uma manhã luminosa
E lá...no fundo do meu olhar encontre ainda um fio de alvorada
Para tecer a minha mortalha de pura seda...diafana e vaporosa
Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)




Minha cara Rosa Maria, que obra magnífica e carregada de uma luz crepuscular. Seus versos são como um voo para além da matéria, onde o tempo perde sua força e a alma busca o reencontro com a própria essência e com o amor que não morre.
ResponderEliminarÉ tocante a forma como você entrelaça a imagem da criança que foi com a preparação serena para o infinito, transformando a "morte do tempo" em um brinde à eternidade. O desejo de tecer a própria alvorada em fios de seda mostra a pureza de uma alma que, mesmo diante do abismo, escolhe a luz e o azul do olhar. Parabéns por essa sensibilidade que nos faz olhar para as estrelas e sentir o toque do vento. Beijinhos em teu coração e um fraterno abraço!