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domingo, 18 de janeiro de 2026

Não ouças os meus lamentos

Não ouças os meus versos...não sintas o meu rosto

Não leias o meu corpo...não toques os meus medos

Não rasgues a minha pele...não sintas o meu desgosto

Não olhes os meus olhos...não leias os meus segredos


Não habites a minha nudez...não toques a minha solidão

Não chames os meu infernos...não apagues a minha luz

Não beijes a minha boca...não toques amor a minha mão

Não ouças os meus silêncios...não lamentes a minha cruz


Não pises os meus sonhos...não sintas as minhas mágoas

Não ouças os meus lamentos...não me fales das emoções

Não digas dos meus olhos...não bebas as minhas lágrimas

Não deites ao vento as cinzas das minhas ardidas ilusões


Não acaricíes o meu ventre...não acendas em mim a noite

Não amordaces a minha boca...não coles os meus pedaços

Não toques a minha eternidade...não sintas a minha morte

Não acarícies a minha sombra...não sigas os meus passos


Não lembres o meu nome...guarda esta imagem esmaecida

Não beijes o meu sorriso triste...não afagues o meu Outono

Não leias no meu rosto o tempo...não me procures perdida

Não desenhes no olhar agonias...não sonhes o meu sonho


Não toques as minhas mãos...deixa a dor cantar meus versos

Não sintas a minha alma...não escutes meu cansado coração

Não me chames...deixa-me perdida na noite onde me esqueço

Não ressuscites o meu corpo...deixa-o vagando na imensidão


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Entrelaço nas minhas mãos as minhas mãos!


 Entrelaço nas minhas mãos as minhas mãos...cravo as unhas no vazio e escrevo a sangue o meu corpo. Dedilho em silêncio um fado de amor e mágoa e desfolho as rosas que são os despojos da minha ilusão. Resquícios de Primavera na penumbra do entardecer...no crepúsculo do meu corpo a anoitecer...do meu rosto a envelhecer. Lago sereno onde a vida naufragou num sonho dolorido de espuma e sal.

Entrelaço as minhas mãos na minha sombra...na minha triste sombra e cinzelo no meu rosto um sorriso breve...uma transparente nostálgia...um derradeiro grito à vida que se esvai num tempo sem idade de instantes efémeros que me levam a lugares antigos...corredores de silêncio por dentro de mim onde me sonhei princesa quando a noite ainda não era noite e o luar beijava o meu corpo e de mar não eram os meus olhos. Quando ainda a brisa beijava o meu rosto e o meu olhar tinha o brilho do amor.

Entrelaço as minhas mãos no tempo e caminho sem mim pelos labirintos errantes da noite...pelas silenciosas vielas da alma...pela escuridão que beija o meu corpo...reinventando a vida e escrevendo a alma...nua.

Entrelaço nas minhas mãos os sonhos que deixaram de ter asas...os meus braços que deixaram de ser afago e nos meus dedos prendo uma lucidez amarga de um sonho que se desfez...o meu pensamento sabe a sal e solidão.

Entrelaço no meu rosto sorrisos feitos de chuva...no meu corpo tempestades e anseios...nas minhas mãos o gelo dos dias e nos meus braços a solidão das noites...nos meus dedos o sangue com que me escrevo...o silêncio onde me sepultei...as pedras por onde caminho...o deserto onde me procuro.

Entre o riso e a lágrima toquei a noite e embalei nas minhas mãos o silêncio...escrevi o vazio com a pena da mágoa e desenhei no meu corpo murmúrios de vento.

Há momentos que se entrelaçam como se fossem duas sombras a dançar uma melodia de amor!


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )





quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Meu corpo foi campo em flor!


 O meu corpo foi botão de rosa...seara ardente...campo em flor

Hoje é uma melodia de saudade em folhas de Outono envolto

Gemendo docemente em silêncio uma triste melodia de amor

Branca e fria tela...vestindo de tristeza os traços do meu rosto


O meu corpo é uma tempestade feita de vento e mar bravio

Silenciosamente e em lamento escorre a chuva do meu olhar

Entregue à noite...sou uma nuvem negra flutuando no vazio

Sou o que de mim restou...errante sombra no tempo a vagar


O meu corpo espera na noite...espera no limbo duma verdade

Envolto nas cinzas da ilusão espera em silêncio anoitecendo

Cansado de sonhar trocou a vida por uma gota de eternidade

Esperando...esperando sempre...no leito da ilusão morrendo


O meu corpo é uma noite em Dezembro...uma folha rasgada

Ardendo na solidão do tempo...na sombra negra da saudade

Triste e sombrio é dor e ternura...uma ténue chama apagada

Submerso na escuridão...vaga entre o infínito e a eternidade


Sobre o meu corpo adormecido...a ausência derramou rosas

No branco lençol amargurado do meu leito...cinza dum sonho

Na minha sepultura deixa meu amor flores negras vaporosas

E sente meu amor na tua pele os últimos suspiros de Outono


Arrasto o meu corpo pelas calçadas da vida...não sei se existo

Nem o que persigo...nada sei de mim...nem meu rosto conheço

E já nem sinto a pele que cobre os farrapos com que me visto

Não...não sei se estou morta ou viva...se sou fim ou começo


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )


domingo, 28 de setembro de 2025

Por vezes queremos que o amor exista!


Por vezes é bom enlouquecer...virar a alma do avesso e deixar flutuar o corpo no outro lado de nós. Seguir por estradas sem saída...por abismos sem fim. Guardar os sonhos no pó dos caminhos e escavados no tempo...desenhar desejos e gritar anseios na escuridão das longas noites de solidão...mergulhar no abismo.

Por vezes é num silêncio acolhedor que nos encontramos e é bom ficar assim flutuando entre o tempo e o espaço. Mesmo que seja entre os cardos que nos ferem os pés e os muros que nos cortam os passos. Na ilusão de todas as demoras...na inquietação de todos os gestos que ficam presos na memória da alma onde queremos escrever a palavra amor no azul dos sonhos.

Por vezes pensamos nos sonhos que gostariamos de viver sem momentos certos para acontecer...procurar o que um dia fomos por entre as cinzas das palavras que apenas o olhar disse...da ternura partilhada na imensa brevidade de um instante que se fez saudade...numa falta que se quer presença e chama ardente.

Por vezes os espelhos são lugares intangíveis no fundo de nós onde habitam palavras no fio da incerteza...na esmagadora solidão do tempo como um grito ecoando no silêncio dos muros.

Por vezes no intervalo entre as estações adormecem as recordações e deixo que no absinto dos meus lábios pouse uma borboleta que leva com ela as folhas vermelhas de um sonho atravessado por versos inquietos entre o sol e a escuridão.

Por vezes chamamos o amor para que ele exista!


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )