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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A noite...vestida de noite!


 A noite é um vestido negro e longo...uma rua deserta e escura por onde caminham as almas solitárias...as mulheres sem tempo carregando a nua verdade nos corpos vazios...nos passos perdidos. Mulheres sem vida...já não choram...não têm lágrimas.

A noite é o eterno deambular das almas triste e amarguradas abrigando a semente do amor no regaço que lhes deu vida...no repouso dos corpos que nasceram de mães já cansadas e sem espaço para a ternura...sem carinho e sem guarida.

A noite é a morte do amor dançando sobre o sepúlcro da ilusão numa ausência acompanhada de gestos sem idade...ecos sem voz e corpos sem emoção. Há na noite segredos e medos...ilusões e devaneios e tantas almas feridas caminhando nas sombras da madrugada e cinzeladas nos rostos da renúncia onde se deitam os corpos com sede de amor.

A noite é o leito das mulheres sem nome e sem perguntas...bebendo a solidão até ao último trago adormecem nos braços da escuridão onde há gritos ecoando na noite...no tempo que se foi sem ter ido...verdades guardadas...vontades escondidas...invernos e infernos onde os corpos são uma teia sonhos desfeitos.

A noite me chama nas esquinas sombrias...num grito mudo num vazio sem fundo...nos sons dum silêncio amargurado que a noite sussurra num eco profundo...num silêncio sem grito.

Mais uma vez noite encontro a tua face feita de luzes e sombras...sem sono e sem sonhos. Tudo é cinza e cansaço. Apenas vazio e mais nada.

A ti noite deixo os meus versos magoados como se fossem pedaços de vida...eternos papéis esquecidos nas gavetas da memória como se fosse um murmúrio de amor...uma rosa que desfolho docemente...uma mágoa que bebo lentamente.

A noite trás restos de verdade...deixa a nú todas as tempestades e vazios.

Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )


domingo, 18 de janeiro de 2026

Não ouças os meus lamentos

Não ouças os meus versos...não sintas o meu rosto

Não leias o meu corpo...não toques os meus medos

Não rasgues a minha pele...não sintas o meu desgosto

Não olhes os meus olhos...não leias os meus segredos


Não habites a minha nudez...não toques a minha solidão

Não chames os meu infernos...não apagues a minha luz

Não beijes a minha boca...não toques amor a minha mão

Não ouças os meus silêncios...não lamentes a minha cruz


Não pises os meus sonhos...não sintas as minhas mágoas

Não ouças os meus lamentos...não me fales das emoções

Não digas dos meus olhos...não bebas as minhas lágrimas

Não deites ao vento as cinzas das minhas ardidas ilusões


Não acaricíes o meu ventre...não acendas em mim a noite

Não amordaces a minha boca...não coles os meus pedaços

Não toques a minha eternidade...não sintas a minha morte

Não acarícies a minha sombra...não sigas os meus passos


Não lembres o meu nome...guarda esta imagem esmaecida

Não beijes o meu sorriso triste...não afagues o meu Outono

Não leias no meu rosto o tempo...não me procures perdida

Não desenhes no olhar agonias...não sonhes o meu sonho


Não toques as minhas mãos...deixa a dor cantar meus versos

Não sintas a minha alma...não escutes meu cansado coração

Não me chames...deixa-me perdida na noite onde me esqueço

Não ressuscites o meu corpo...deixa-o vagando na imensidão


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )