Despida do teu corpo e perdida da minha alma te esperei
Como quem espera a vida...como quem chama pela morte
No silêncio desse corpo que não me tem...mas tanto amei
Na tristeza dos meus olhos...que hoje se vestem de noite
Nessa noite gelada e longa...não me encontro nem te chamo
Adormeceu em mim exausta a saudade do meu corpo no teu
Nesse instante de loucura morri amor a dizer que não te amo
Na lagoa calma dos meus anseios onde meu corpo adormeceu
Na cama onde revolvo a solidão na escuridão onde te procuro
Nas mãos de ternura vazias nos gestos sem gestos nem tempo
É aí...nesse lugar sem esperança...onde o teu olhar é um muro
Que adormeceu a ausência e em silêncio grito o meu lamento
Nesse céu nocturno...que é a cor dos meus olhos entristecidos
Vagam desejos escarlates num rumor de luxúria incandescente
Voando sobre o teu corpo ausente os meus lábios emudecidos
Na ternura que amordacei no meu corpo vestido de sol poente
Na noite solitária e fria onde não me esperas...nem te espero
O desejo morreu de sede neste deserto que me veste o corpo
Cansado de esperar em cada noite onde te quero e não quero
Calaram-se os gemidos de amor...emudeceram pouco a pouco
Nos meus olhos rasos de água...te chamei como quem morre
Na terra fria onde sepultei as rosas que um dia me adornaram
Hoje são vestes sombrias...mágoa que do meu corpo escorre
Assim eu te amei mesmo quando os teus gestos se apagaram
Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)











