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quarta-feira, 3 de agosto de 2022



Por quem choras Poeta


Por quem choras poeta...sobre esse corpo gemendo de amor

Num sonho que finges sonhar...numa vida que finges viver

E essa alma sedenta de infinito e esse sorriso ferido de dor

E esse coração agonizando de mágoa e essa lágrima a doer


Por quem choras poeta...quem te cravou um punhal no peito

Quem escreveu com sangue o teu nome...quem te esqueceu

De quantos silêncios fizeste o teu grito...o vazio do teu leito

Diz-me: Quantas vezes morreste nesse corpo que não foi teu


Por quem choras poeta...errando de alma nua e mãos vazias

Quando a noite te arde na pele e o cansaço te pesa nos braços

Esse peso que carregas e vais carregar até ao fim dos teus dias

Espinhos que te ferem os pés...muros que te cortam os passos


Por quem choras poeta...que negrura é essa que tens na alma

Que tristeza é essa que te ensombra o olhar de dor e silêncio

Que agonia é essa que trazes no peito...que nunca se acalma

E a mágoa cravada no rosto e essa lágrima sabendo a incenso


Por quem choras poeta...que voz é essa que grita e emudece

E esse beijo morrendo na boca e essa chama na pele ardendo

E essa morte vestida de vida e essas mãos cruzadas em prece

E esse coração ferido de amor e esse espinho doendo...doendo


Por quem choras poeta...por quem gritas...por quem chamas

Que treva é essa que te cobre...que pranto é esse...que agonia

Nesses olhos rasos de lonjura...nesse corpo que já não amas

Que dor é essa que te afaga...que sombra é essa que te guia


Sabes poeta? Morrer não dói...o que dói é ter de viver

Querendo partir para o descanso eterno...mas ter de ficar

Fingindo que és feliz e morrendo lentamente sem morrer

Bebendo a vida em amargos goles...até ao instante final


Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!


A melhor mensagem de Natal é aquela que é murmurada em silêncio e aquece com ternura quem nos acompanha na caminhada da vida...não só no Natal mas em todos os momentos...unindo almas e encurtando distâncias com o carinho de uma palavra...o calor de um abraço que se sente como um lenitivo para todas as dores.
Que neste Natal o amor e a fraternidade esteja presente nos nossos corações e possamos fazer com que o mundo seja melhor...que a paz e o amor seja o alvorecer de um novo tempo....um tempo em que nenhuma criança tenha fome e frio...que nenhuma mãe adormeça a chorar por não ter um bocado de pão com que mate a fome aos seus filhos e que todos tenham um tecto para se abrigar...que tenhamos a força e a coragem necessárias para não deixar passar as injustiças neste mundo com tanta desigualdade.
Que o Natal seja um genuíno gesto de dádiva e não o consumismo desenfreado em que foi transformado o nascimento do Homem Justo que foi Jesus.

Que o verdadeiro espírito do Natal volte aos nossos corações e olhemos não só em frente, mas também para quem passa ao nosso lado e assim fazer com que o Natal aconteça 365 vezes por ano.
E obrigada por abrirem o vosso coração para eu poder entrar e alimentar a minha alma neste caminho que é feito por nós...mas que depende de quem nos acompanha e ajuda a ultrapassar dias menos bons, estando sempre presentes com uma palavra de conforto...que secam as nossas lágrimas e sorriem com as nossas alegrias.

Um beijinho
Rosa Maria



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL

Mais um Natal...

A idade vai-nos dando a serenidade de ver sem o olhar de magia da criança que fomos e que lentamente se vai esfumando para dar lugar à triste realidade de um mundo onde a fraternidade e igualdade prometida é só uma palavra e o Natal é apenas um dia marcado no calendário...apenas um dia para quem as noites e os dias são intermináveis...o frio e a fome a sua certeza...as calçadas frias a sua cama.
É Natal...as ruas estão iluminadas..luzes que não conseguem alumiar tantas almas que caminham nas sombras procurando um canto para se abrigarem e adormecerem com cobertores de papelão como se fossem os despojos da noite...os dedos da nossa consciência...o silêncio da nossa indiferênça a negar-lhe a existência.
É mais cómodo para quem tem tudo não olhar...para não sentir e não ver os rostos amargurados e cansados de quem já nada sente e nada tem...nem certezas...nem sonhos...nem laços que os prendam na beira do abismo...no fundo do fundo onde não há um rasgo de luz...apenas o sabor amargo da solidão...os ecos profundos de silêncio nos olhares de quem já nada espera.
Quando será que os poderosos vão descer do seu pedestal dourado e vão olhar para esses deserdados da sorte a quem estão a roubar toda a dignidade que um ser humano merece e tem direito. Nesse dia será enfim NATAL.


Feliz Natal junto de todos que amam
Um beijinho com o carinho de sempre


Rosa Maria

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Vou partir por aí...

Vou partir por aí...vou procurar o meu corpo que foi sem alma e sem mim...recolher os destroços que ficaram espalhados pelos becos da escuridão...no ventre da noite onde estendo as minhas mãos tentando prender o infínito entre os dedos dormentes da vida...num instante de tempo onde sou eu...génese de um momento não acontecido onde o tempo não existe e os sonhos da poeta ficaram perdidos num horizonte distante...num gesto de abandono das memórias congeladas por dentro de mim...na bruma de uma noite sem luz...num beco sem saída.
Vou partir por aí...pelos lugares que não existem...nas ilusões que persistem...no tempo que deixou de ser tempo e onde os espelhos são lugares intangíveis no fundo de mim...abismos de silêncio onde me afundo...no regaço da terra...horizonte longínquo onde tardo em chegar.
Vou partir por aí bebendo silêncios na solidão dos muros...no fogo extinto de noites de sol...no lago sombrio da minha memória...na morada incerta do meu corpo onde apenas a minha sombra me segue...só minha sombra.
Vou partir por aí...para um lugar onde não exista tempo e mergulhar num caminho sem regresso como se fosse o último instante entre o aqui e o além...alma e corpo em algum lugar longe de mim...no fim de tudo...no princípio de nada.
Vou partir por aí...vestida de amargura com a alma em ferida e o corpo em chaga procurando um lugar onde por um instante encontre uma manhã luminosa no fundo das sombras...nesta beira caminho por onde me arrasto até à hora do regresso para lá do azul que vai partindo dos meus olhos num silêncio crepuscular...ténue luz que ilumina a minha sombra sentada sobre as pedras da memória e vestida com o tenebroso véu do esquecimento e vagueando por caminhos que nunca me levaram ao fundo de mim.
Vou partir por aí...pelos lugares desabitados do meu ser...procurando uma estrada que me leve ao infinito para um tempo que deixou de ser meu...numa morada de silêncio onde não me encontro...no árido labirinto que vou percorrendo no vazio inabitável de lugar nenhum e onde vou enfim deixar repousar o meu corpo e aceitar a noite sem retorno...a plenitude da paz eterna.