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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tempo



O tempo embaciado destorcido no meu rosto, um lago estagnado de esperas de desejos...cinzentos como a cor dos meus dias. Olho-te como se ainda algum de nós existisse, nesta solidão sem sentido,neste vazio de nós dois, numa ausência de sentimentos de desejo,um vacuo profundo, para além de nós do mundo.
Espero...nas minhas lembranças há um abismo, pedaços de palavras que não dizemos, que não escutamos, perdidas no tempo. Não há nada para dizer, nada para perguntar.
Vou deixar repousar o meu corpo, sem corpo e aceitar a noite sem retorno.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pedaços



Sou um grito silencioso
De desejo inconsumado
Que se solta do meu corpo
Num ultimo suspiro exalado

Pedaços de um tempo, sem tempo
Frémitos de dor insaciada
Infinitos doutros momentos
Duma espera triste...amargurada

Dias de pedaços inacabados
Noites de saudades e cansaços
Lençois revoltos... amarfanhados
Sonhos rasgados em pedaços

As noites da minha memória
Esquecidas no infinito do tempo
No triste fim da minha história
Nos minutos de um momento

domingo, 18 de outubro de 2009

Voar



Quero sair de dentro de mim
Voar para uma outra vida
Deixar este tempo sem fim
Onde me perdi,estou perdida

Quero voar... para muito longe
Para o infinito desconhecido
Fazer do amanhã, hoje
Procurar meu mundo perdido

Partir de mim...voar
Sem principio nem fim
Noutros mundos descançar
Deixar de estar aqui

Alcançar o que está distante
Vagar para outros momentos
Voar para fora deste instante
Sair dos meus pensamentos

As minhas noites



As minhas noites são sombras de um tempo que não conheço, que entram em todos os recantos da minha existencia, todas as noites da minha espera se transformam em sombras, paradas no meu olhar, que não são minhas, são dum céu que não conheço, dum instante breve, que me transporta para esse céu que não alcanço, no silencio de um momento parado no tempo.
As sombras continuam num canto do meu quarto de silencios, inquietos, absolutos.
De silencios que tinham a claridade de todas as alvoradas que não vivi, um infinito que não se repete que está dentro de mim, nos meus pensamentos, nas sombras da noite em que caminho, para um tempo distante, um tempo que está no infinito de todos os tempos de todas as sombras de todos os silencios.