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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sou a penumbra


Sou a penumbra... frágil sombra...vestida de noite
No meu rosto traços de amargura...cinzas do tempo
E no meu corpo este silêncio...leve sopro de morte
Gravado no tempo...tatuado na alma eterno lamento

Trago nas mãos tempestades...o inferno...e este vazio
Revolvo a terra...procuro na mulher...o raio e o trovão
Esqueço o que resta de mim...quase nada...apenas frio
Não tenho antes nem depois...apenas tempo e solidão

Sou mulher... trago as dores da terra no corpo marcadas
Os anseios do futuro...as dores do passado...as lágrimas
Os segredos e os medos...de todas as mulheres caladas
Todas as promessas...todos os sonhos e todas as mágoas

Sou a voz do vazio...a tristeza...a penumbra da poesia
Sou pedra do caminho...a folha negra dos meus passos
Sou o abandono...o silêncio da noite...a sombra do dia
Perdida entre o ser e o querer...o vazio dos meus braços

A minha voz calou-se...apenas o silencio grita...implora
Num poema derradeiro...num verso negro amordaçado
Num peito sofrido...num coração que em mim chora
Desfeito o sonho...cala-se o pranto num verso rasgado

Entre mim e a noite...os braços...gestos breves amargos
Não sei quem sou...nas entranhas da terra foi onde nasci
Trouxe nas mãos um poema...nos dedos silêncios vagos
Sou filha de todos os instantes...sou o principio e o fim


Rosa Maria ( Maria Rosa de Almeida Branquinho )