domingo, 22 de dezembro de 2013
FELIZ NATAL
Mais
um Natal chegando e tantos lares sem pão...tanta criança sem o
necessário para ter uma infância digna (não falo em brinquedos),
mas comida na mesa...roupa quente no corpo e sem ter que estender a
mão à caridade dos que por vezes nem olham para não verem aqueles
olhares onde não resta um sopro de ilusão...e não vendo não
sintam o pranto de tanta infância que ficou por viver...de tantas
mães embalando os filhos no regaço da fome, de tantas vidas que
desceram ao fundo do poço, de tantos seres humanos que vasculham os
contentores do lixo como se fossem nada...enquanto que para os
senhores do mundo o luxo e o supérfluo não tem valor algum...a fome
não lhes diz respeito...o Natal é só um dia em que eles pregam a
igualdade e a fraternidade...só um dia.
Mas
os dias para os excluídos da sorte são todos iguais...frios e
cheios de incertezas num caminho onde o sol não chega...na noite
imensa onde não dormem nem sonham...porque o que os abriga é apenas
o céu imenso e por vezes um cobertor dado por alguma mão piedosa,
que felizmente ainda há quem se preocupe com os que nada
têm...embora seja uma gota de água no Oceano.
É
triste que o Natal seja apenas uma data no calendário dos senhores
que governam e que do alto da sua arrogância ainda têm a desfaçatez
de vir desejar um Natal Feliz a quem já nada tem...a quem estão a
roubar toda a dignidade que um ser humano merece e tem direito.
Que
o Natal seja um genuíno gesto de dádiva e não o consumismo
desenfreado em que foi transformado o nascimento do homem justo que
foi Jesus. Que o verdadeiro espírito do Natal volte aos nossos
corações e olhemos não só em frente, mas também para o lado e
assim conseguir-mos fazer que o Natal aconteça 365 vezes por ano.
E
para todas as minhas amigas e amigos (pedindo desculpa por este
desabafo) desejo um Natal Feliz...pleno de paz e amor junto de todos
os que vos são queridos e agradecendo o vosso carinho que me faz bem
à alma e ao coração.
Rosa
Maria
HOJE É O MEU ANIVERSÁRIO
O
tempo passará sempre...mesmo que o corpo morra ele continuará
depois de nós...no fim do fim ele existirá e de quem fomos apenas
restará uma ténue lembrança...uma doce recordação e em algum
lugar do tempo as almas se encontram.
E eu quero agradecer o vosso carinho que me dá alento para continuar sempre aqui bebendo desta fonte o alento que todos precisamos para seguir em frente.
Deixo o meu beijinho carinhoso e provem uma fatia de bolo e bebam uma taça de champanhe.
Rosa Maria
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
VIVE EM MIM...
Vive
no meu corpo alguém que já morreu...apenas o retrato
Da
menina que fui ainda existe...da mulher somente restou
Uma
sombra quase morta que dentro de mim ainda guardo
No
retrato amarelecido no tempo onde me vejo e não estou
Vivem
no meu corpo recordações perfumadas de silêncio
No
meu rosto pedaços de luz querendo romper a escuridão
Na
moldura enegrecida onde tristemente ainda permaneço
Nesse
olhar onde já não existe nenhuma réstia de ilusão
Vive
no meu corpo um desejo quase cinza...quase morte
Num
grito rouco e profundo ...lá bem no fundo de mim
Esse
fogo de amor perdido...bailando no ventre da noite
Embalando
nos braços a quimera do beijo que não senti
Vive
para sempre no meu corpo...esse sonho que sonhei
Quando
o sol se apagou e a noite deixou de amanhecer
E
perdida no meu olhar ficou...aquela lágrima que te dei
Um
perfume vago de saudade...pranto do meu entardecer
Vive
preso nas minhas mãos o crepúsculo...como um adeus
Travo
amargo com que teci as ilusões da menina da moldura
Que
ficou presa no espelho...como uma sombra que morreu
Neste
corpo que já não sinto...na minha alma que é lonjura
Vive
no fio da navalha a mulher que em vida se amortalhou
Tão
despida de ilusão neste abismo negro esculpido pela dor
No
meu rosto entardecido pelas marcas que o tempo deixou
Nesta
treva que me cobre...sepultei todos os sonhos de amor
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
A TI...POESIA
Em cada noite te encontro poesia e a ti me entrego docemente
Como
um amante me enlaças e me possuis numa lenta agonia
Num
leito de rosas negras sobre mim te deitas languidamente
E
assim inteira e despida...a ti me entrego até ao raiar do dia
É
de poesia o manto que me cobre...é de sangue este lamento
Que
escrevo na alma a fogo...como se retalhasse o meu corpo
E
nas cinzas adormecesse esse murmúrio que lanço ao vento
Como
se fosse um adeus que me vai matando pouco a pouco
Contigo
percorro todos os desertos...vou ao céu e ao inferno
Desço
ao mais profundo de mim onde morro antes da morte
Num
obscuro lugar onde o que me vestiu permanece eterno
Rasgando-me
a carne ferida...como se fosse o beijo da noite
És
poesia...o fogo ardente que me queima a carne em agonia
Contigo
desço ao abismo profundo e insondável do meu Eu
E
juntas bebemos o fel da amargura em taça de melancolia
No
grito incontido da poeta que pensa que vive e já morreu
És
tu a deusa da minha solidão...regaço doce onde me deito
E
em silêncio te desfolho página a página...mágoa a mágoa
Arrancando
palavras feridas do mais profundo do meu peito
E
aí te guardo como se guardasse do meu olhar uma lágrima
És
o sangue que me sufoca...um punhal rasgando-me o corpo
Num
prazer quase divino de contigo beber o veneno da vida
No
nada dum momento em que vou morrendo pouco a pouco
No
regaço dos teus braços de ilusão...a ti me entrego despida
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