quarta-feira, 25 de maio de 2011
Quero Dizer-te...
Quero dizer-te que sou uma estrela errante...um sonho perdido
Sou a lua solitária que escureceu...parei o tempo...esqueci a vida
Nem mesmo a luz do sol meu amor...apaga este sorriso entristecido
Quero dizer-te que no silêncio dum olhar...há uma saudade sentida
Quero dizer-te que há um céu infinito...um cansaço indefinido
Uma sombra incerta...um silêncio profundo...uma noite despida
Caminha comigo...dorme comigo...no leito de espinhos vestido
Quero dizer-te que há no meu corpo um poema...uma rima perdida
Quero dizer-te que flutuo entre as nuvens...além de mim
Num vazio sem memória...num espaço sem luz envolta na dor
Não sei se estou viva...ou se a eternidade já me afastou daqui
Quero apenas dizer-te que te vou esperar...no céu meu amor
Quero dizer-te que em mim se fez noite...o olhar escureceu
Fez-se estrela cadente...rio que transporta a minha mágoa
Silêncio infinito...profundo abismo...onde a vida adormeceu
Quero dizer-te que das minhas mãos...escorre uma lágrima
Quero dizer-te que fui roseira em flor...fui céu azul e fui mar
Hoje sou o crepúsculo da vida...eterna sombra vagando na noite
Caminho com o vento...à beira do abismo...cansada de caminhar
Quero dizer-te que sou espera...infinito finito...esperando a morte
Quero dizer-te que sou a distância...o fim do fim...eterno abraço
Gritando em mim...o silêncio da pele...gosto amargo da solidão
Nuvem negra que me envolve...negra sombra em que me enlaço
Quero dizer-te que o meu sangue...é a tinta negra da desilusão
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Ouve o silêncio meu amor...
Ouve o silêncio meu amor...escorrendo das minhas mãos vazias...tatuado na minha pele...escrito nas palavras de amor que ecoam no tempo...nos braços que são vagas silenciosas e adormecidas...no chão onde ficaram pedaços do meu caminho...restos de sonhos...tristes e cinzentos...renúncia de amor.
Deixa meu amor...que o meu corpo se rasgue no inevitável passar do tempo...no vazio da solidão...entre as páginas vazias dos dias...entre o céu silencioso das noites...nas brumas que encobrem as madrugadas...no grito murmurado no silêncio de um olhar.
Não digas nada meu amor...não acordes o silêncio...deixa-me esquecer o nada que resta de mim...deixa-me apagar o ontem...o hoje...deixa-me guardar o teu sorriso...acreditar que a lua existe e que o sol és tu...deixa-me escrever um poema de amor...ser uma flor na tua boca...uma rosa a perfumar o teu olhar...o sorriso de uma lágrima...a alma onde te deitas e descansas...o corpo que é a tua casa...a madrugada onde te perdes...o oceano de amor que nos afasta...deixa-me ser um amor eterno.
Na ausência dos teus braços...deixa-me repousar meu amor...apenas vestida de silêncio e despida de ilusão...no meu corpo sem gestos...nas minhas mãos vazias...deixa-me morrer envolta em mim...entre o amor e o inferno...um encontro perfeito entre o corpo e a alma...um adeus sem palavras...na ausência da minha presença...entre o céu e o infinito...deixa voar o meu corpo...nesta noite imensa cheia de nadas e vazia de tudo...deixa que te leve dentro do meu sonho...entre as minhas recordações...envolto na solidão do meu corpo...nos destroços do que fui...na ternura do que sou.
Deixa-me levar-te no fundo de mim...vestida de noite...vagando na voz do vento...na terra adormecida...no silêncio de uma lágrima...no tempo que é noite...neste abismo profundo...nesta tempestade que me escorre do peito...deixa-me meu amor no sono partir...no sonho voar...sem rumo e sem medo.
Deixa-me pedir perdão à vida por querer amar...à noite por querer ser madrugada...às horas por querer viver...e ao vento por querer voar.
Procura-me...na minha sombra...na outra margem de mim
No rio do meu corpo...encontra-me no outro lado da vida
Não me percas...não te percas...não me adormeças em ti
Prende-me no teu olhar...dá-me a tua mão em despedida
Tenho no olhar pétalas de rosas...no corpo dores e mágoas
Nas mãos tenho sonhos desfeitos...nos braços cinzas e dor
Nos meus lábios tenho silêncios...vazios e tantas lágrimas
Nesta presença que é ausência...ficaram despojos de amor
Há um grito...ecoando dentro de mim...tão profundo
Sem princípio nem fim...vive no meu peito amordaçado
É silêncio vão...é numa lágrima...todo o peso do mundo
É o pulsar deste amor...solidão do tempo vestida de fado
No fundo do tempo...há um sol que me foge...que escurece
Na profunda noite...no limite da vida...outro lado de mim
As minhas penas...são restos de Primavera que anoitece
São o meu rosto e o meu corpo...caminhando para o fim
sábado, 14 de maio de 2011
Desvenda-me...
Desvenda-me...pétala amargurada...morrendo lentamente
Sou da noite o fantasma...sou da madrugada a escuridão
Olha-me...sou o teu silêncio...a que te chama docemente
Desvenda-me...sou sol e chuva...o inverno duma paixão
Desvenda-me...sou amor...sou amante...renúncia e desejo
Olha-me...sou a luz e a sombra...sou um grito de saudade
Desvenda-me...mar e tempestade...a ternura de um beijo
Na profunda noite...toma-me...sou uma gota de eternidade
Desvenda-me...no vazio dos meus braços..enlaçando o céu
Tocando o inferno das almas...abrigo das minhas mágoas
Desvenda-me...em cada poema...em cada palavra sou eu
Primavera anoitecida...negra nuvem chovendo lágrimas
Desvenda-me...sou eu...amor e dor...céu negro e inferno
Olha-me...sou o mar dos meus olhos...sou o sol a morrer
Segredos e medos...cinza e fogo...sou um amor eterno
Desvenda-me...sou ternura e tristeza...sou o entardecer
Desvenda-me...sou uma gota de vazio...a lua entristecida
Olha-me...sou o que escrevo...o teu eterno amanhecer
Sou um corpo adormecido...uma última gota de vida
Desvenda-me...sonho e pesadelo...uma rosa a morrer
Desvenda-me...sou mulher e menina...tristeza e ternura
Lê-me em cada palavra sou eu...sombra e sol...noite e luar
Estou nas entrelinhas de cada letra...emoção e amargura
Sou paixão e desejo...sou tempestade...sou vento e mar
Desvenda-me...despe-me o negro vestido da desilusão
Olha-me bem fundo...guarda do meu rosto uma lágrima
Desnuda-me...veste-me meu amor o vermelho da paixão
Desvenda-me...sou o lamento dum fado vestido de mágoa
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Entardeci...
Entardeci meu amor...as minhas lágrimas são apenas murmúrios...os meus poemas são rascunhos a preto e branco...as rosas que foram desejo...essas meu amor enegreceram...o amor perdeu-se nos caminhos vazios...na distância das mãos...na longura dos braços...no silêncio de um olhar...nas pétalas que não perfumaram a cama feita de sonhos...na madrugada que não floresceu...na noite que não nos encontrou...no perfume dos corpos que não se misturou...na ternura do toque que ficou preso nas mãos vazias...no beijo que arrefeceu nos meus lábios...perdido na minha pele.
Entardeci...adormeço com a solidão...guardei no coração todas as lembranças...no meu corpo todos os desejos...no meu regaço todos os silêncios...na minha alma todas as palavras...todos os sonhos...num abraço de eternidade.
Entardeci...no meu corpo tenho pétalas caídas...amarelecidas...suspiros de prazer envelhecidos por mil anos de abandono...dentro de mim trago o cio da terra...onde todas as flores morreram...tocadas pelo frio das minhas mãos...pelo gelo das minhas lembranças.
Entardeci...a dor secou...agora é uma lembrança suave...um silêncio vestido de noite e solidão...um sonho despido de ternura...inventado nos meus dedos...na outra margem do meu corpo...no ontem de mim...no outro lado da vida
Entardeci...no meu peito tenho restos de amor...ilusões adormecidas...eco perdido de um rio que deixou de correr...lembranças dum cais onde a Primavera ficou esperando...arrastada pelo vento...como um adeus sussurrado na noite...caminho vestida de brumas.
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