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quarta-feira, 10 de março de 2010

Apenas cansaço...



Apenas um cansaço, um abandono à solidão, um rasgar de sentimentos que já não existem...os sonhos...a vida a dois que ficou nas palavras...não ditas...na mágoa profunda que os anos deixaram...num amor que é passado...num presente que é apatia, um muro construido lentamente, dia após dia, separando toda uma vida, temendo a noite, que me deixa frente a frente, com a realidade...num corpo vazio de paixão... morto. Numa luta de silêncios, num caminhar só, no coração que não sente nada, num vazio de lembranças apenas...do tempo...do ontem...na alma e no corpo... o nada, nos momentos obscuros que me seguem, me prendem, na rua vazia do meu abandono, num diálogo de cinzas, na névoa do tempo...onde estás ausente, nas palavras...no pensamento, na distância infinita da indiferença, no desejo morto...na amargura do tempo, na morte secreta do abismo de memórias apagadas, nas palavras amargas...inertes esperando no vazio, na tortura do tempo...na cinza dos olhos, que já brilharam...hoje são treva...sombra de silêncio, nas lágrimas que caiem docemente, na noite imensa do meu desespero, nas madrugadas que se perderam no tempo...no vazio da ternura, sem um sopro de esperança, nas mãos vazias...no refugio da solidão fria, que vive comigo...num muro eterno, que restou do esquecimento... dos sonhos...que o tempo esfumou, nas sombras que trazem a saudade, agonizando num passado de indiferença e desencanto...nos gritos contidos...no obscuro infinito, da errante noite do meu caminho.


Nas memórias da noite...tenho a tua ausência
Neste Outono que me veste...deixo meu abandono
Neste caminho sem fim...nesta triste dolencia
Neste tempo, sem tempo...neste sofrer sem retorno

O meu cansaço...mora no tempo, na eternidade
No silêncio calado...na escuridão das horas
Desencontrada entre a bruma e a claridade
Na linha do horizonte...onde tu solidão moras

Sou da morte a sombra...no descanso que tarda
Na noite tu me segues...além do pensamento
Sou a sombra que te segue...esperando o momento
De encontrar na eternidade...a luz da madrugada

Minha vida incerta, dolorosa...caminho sem volta
Na profunda solidão...tão perdida, tão carente
No meu grito...toda a dor...toda a revolta
Nesta saudade de mim...nesta mágoa fremente

domingo, 7 de março de 2010

Choro...



Espero a noite...meu amor...a noite sou eu
Vagando no vento...esvoaçando na escuridão
Me afundo...fundo...no profundo mar
Na linha do destino...mergulho na ilusão

Sou  perdida lembrança...aurora e crepúsculo
Eu ainda choro...meu amor... saudade minha
Procuro os sonhos que perdi...e ainda busco
Neste Outono...cai a noite...e estou sozinha

A saudade dói no meu peito...queima como lume
O alvorecer é a sombra da noite...minha agonia
É farpa trespassando o coração...aguçado gume
É negra névoa...no meu peito... à luz do dia

A solidão está em mim...está na noite...está na mágoa
Presa em mim...fala-me de ti...não me deixa só
Chama-me na noite...segue-me...é meu fantasma
Escurece-me o rosto...dorme comigo...é a minha voz

A noite escurece a minha alma...a solidão é fria
Choro as lembranças...digo adeus ao passado
Choro o amor...choro-me a mim...de tão vazia
Choro a menina- mulher no meu corpo amargurado

Choro por mim...choro por ti e choro por nós
Choro a ausência e o vazio que me deixou assim
Choro as cinzas desse amor..meu castigo...meu algoz
Choro a morte e choro a vida...chamo por mim

quinta-feira, 4 de março de 2010

Meu Olhar



Meus olhos vivem na sombra...perdidos no tempo
Vagam ao sabor do pensamento...no rastro das lágrimas
Numa eterna saudade...vagam ao sabor do vento
Vestidos de cinzas...escurecem...nas minhas mágoas

Os meus olhos...tão sombrios...tão errantes
Tão silenciosos...envoltos no mistério de mulher
Uma eterna lembrança...de momentos já distantes
Uma eterna despedida...daquela que a vida não quer

No fundo dos meus olhos...adormece a saudade
Nas imagens do passado...tão frias...tão sombrias
Nas lágrimas dos meus pensamentos...a eternidade
Dos silêncios...que são sombras dos meus dias

As trevas dos meus olhos...espelho do meu abismo
Sobrevoando a angustia...abandono-me ao tempo
Onde estou morta...mas penso que ainda vivo
Onde estou viva...envolta num calvário lento

Nesta penumbra...no silêncio dos meus passos
No instante do ontem...no que resta do hoje
Bebo as lágrimas...no eleio dos meus braços
Procuro na eternidade...a vida que me foge

Procuro uma rosa vermelha...nas cinzas do meu olhar
Procuro o grito da aurora...no infinito da mágoa
Procuro a cor da ausência...no fundo do mar
Nos espinhos do meu corpo...a ultima lágrima

segunda-feira, 1 de março de 2010

Perdi-me



Perdi-me nas lembranças...perdi-me de mim
Esqueci os meus sonhos...deixei-me enterrar
Perdi-me da vida...perdi-me nesta dor sem fim
Entre as sombras e o silêncio...deixei-me vagar

Deixei no tempo o futuro...o ontem está esquecido
No caminho percorrido...ficaram as esperanças
Perdi-me nos sonhos...rumei ao infinito
Nos sentimentos ocultos...vivem as lembranças

No meu quarto...nas paredes frias...só a solidão
Na minha cama...só meu corpo...jaz esquecido
Perdi-me nas madrugadas...perdi-me na escuridão
Na tristeza dos meus olhos...o amor adormecido

Sonho...perco-me...o ontem já passou
Encontro-me no vazio do hoje...tão sombrio
Esperando o amanhecer...que não chegou
Esperando o amor...que no passado existiu

No meu corpo...está ausente a Primavera
Apanho as pétalas...que são flores do passado
São lembranças..são sonhos...são quimeras
Saudades de mim...no meu corpo amargurado

A poesia  percorre o meu ser...solta-se a mágoa
Meu coração despedaçado...faz-se rosa
Perco-me no vazio...solta-se a lágrima
Chorando a desventura...faz-se prosa