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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tempo Suspenso





Fiquei suspensa no tempo...deixei-o morrer
Perdido no meu olhar...para além de mim
Ficaram caídos no chão...restos do meu ser
Momentos perdidos...da vida que não vivi

No espaço vazio da memória...ficaram esquecidos
Sonhos que sonhei...pedaços tristes do meu sofrer
Na minha alma ficaram marcados...na noite perdidos
Efémeros momentos de vida...que quero esquecer

Sou companheira da noite...sou irmã da saudade
No entardecer de vida...sou a sombra do dia
Na dor que me enlouquece e no meu peito arde
Neste triste sonho de amor..há restos de agonia

Perco-me no tempo e encontro-me no desencanto
De noites que não amanhecem...de sonhos que anoitecem
De vida sem encanto...num fado de mágoa e pranto
Negras noites...noites que não se esquecem

Grito...queimo restos de um amor
No amanhecer...dum horizonte perdido
Num sentimento...que se escoa na dor
Num ultimo alento...desengano vencido

Choro ao vento...chamo a solidão
Meus olhos turvos...gritam à vida
Neste pecado...sem remissão
Acorrentada na sombra...alma perdida

Há no meu coração uma dor profunda...plangente
Que jaz adormecida no meu corpo de pedra fria
Que fica chorando em mim...tão mansamente
Dor que me sufoca...dor de vida em agonia

domingo, 6 de dezembro de 2009

Caminho errado



Caminho sobre as palavras... de quando era feliz, quando o meu mundo era bonito...num verso que cantava o amor...na ultima vez que tocaste a minha pele...ainda menina-mulher...onde os momento não eram silêncio de anos...que entram na mulher madura...já rosto sereno, que se tranformaram em sombra...a entrar pelo vazio das palavras caladas, dos meus lábios sem voz...nas horas de espera... duma vida que não é minha...no meu rosto uma lembrança de outros dias...entre dois momentos...o antes e o agora...onde nunca nos encontramos...no adormecer... no acordar, de dias sem fim, um peso negro no meu peito...num grito desesperado...de mim...calada.
No meu rosto, uma sombra de vazio, no imenso corredor de silêncio...onde não sinto a tua respiração na minha pele...sou um grito de flor a morrer...num tempo perdido...num passado que só eu lembro...num presente que quero esquecer, num futuro que não quero...suspenso no tempo.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Corpo de Solidão






Meu corpo estremece...no orgasmo duma saudade
Rasgando a minha alma  em mil pedaços
Noite dos amantes...luar de intimidade
Carícias negadas...só sem teus braços

Meu corpo...caminho de rua silenciosa
Corpo de mistério...vazio sem fim
Hoje é saudade de ti...já foi rosa
Corpo sem amante...noite de mim

No meu corpo...um grito mudo
Vagas de delirio...fogo lento
Entranhas de memória...mar profundo
Na ansia do desejo...de amor sedento

Meu corpo...morre em cada madrugada
Dormente, envolto em chamas...fremente
Chamando o amor...grita a alvorada
Em todos os recantos...roucamente

Rastros de chamas invadem o meu corpo rasgado
Como ferro em brasa...como oceano
Como tempestade... de sonho acabado
Corpo maldito...corpo profano

Meu corpo morre...pouco a pouco
Minha alma ainda lhe pede vida
Meu coração ainda bate como louco
Chorando meu corpo...em despedida

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Anoitece



Anoitece em mim...na aridez do deserto percorrido, num reencontro com o impossivel, submerso no silêncio, da eternidade que vive em nós e se desvanece no anoitecer de um momento...numa saudade quente, do que foi...ou a ilusão em que se tornou...na irrealidade em que se inventa o tempo, que se distancia da linha que nos une e se vê na distância do nosso olhar...como um grito no meu rosto...na corrupção lenta do tempo...num choro intimo e longo de sofrimento...a tua imagem na minha memória...no longe do tempo...depois ou antes do espaço da minha angustia...nos passos que dou para o que falta para viver...no esgotamento final de todas as ilusões...nas ruinas que o destino constroi...nos espaços de vida, entre o antes e o depois...na eternidade absoluta do momento, de todo o espaço da solidão que existe...no TU e EU, na dormência de cansaço...nos passos que gritam...na rua deserta por onde caminho...não lado a lado...mas SÓ.
Olho a vida, meus olhos nublados de água..na sombra da noite que desce sobre mim.