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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Queria Voltar a Mim!


 Queria voltar ao ventre onde nasci...ser planície em flor

Despida de tudo que me vestiu ser de novo inocente e pura

E voltar a afagar as rosas que ficaram do tempo do amor

Nesse lugar infinito onde era apenas uma gota de ternura


Queria regressar aos caminhos floridos da minha infância

Correr sem destino e sem tempo certo para a mim voltar

Escrever o meu nome no azul do meu olhar de esperança

E abraçada à minha alma...voltar novamente a esse lugar


Queria não ter medo de viver...ter a paz de estar adormecida

Deixar este sentimento de não ser este cansaço de não estar

E como uma estrela cadente iluminar a noite em despedida

Nesse voo agonizante da gaivota perdida que volta ao mar


Queria voar para onde o meu corpo jaz...nas asas da morte

E pousar no mármore mais frio...afagar a noite mais escura

E no abismo mais profundo...partir para além do horizonte

Como se fosse pedra adormecida que no meu peito perdura


Queria ainda voltar ao caminho dos meus passos de criança

E nesta carne que me veste afagar a minha alma já cansada

De percorrer os labirintos que me levam à casa da infância

Como uma sombra errante procurando na noite a alvorada


Queria não ter presente nem passado nem este olhar sombrio

Que não sabe por quem chora se pela mulher ou pela criança

Se pelo meu fim ou meu começo ou pelo amor que me vestiu

E num gesto de abandono voltar aos labirintos da lembrança


Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)