Queria voltar ao ventre onde nasci...ser planície em flor
Despida de tudo que me vestiu ser de novo inocente e pura
E voltar a afagar as rosas que ficaram do tempo do amor
Nesse lugar infinito onde era apenas uma gota de ternura
Queria regressar aos caminhos floridos da minha infância
Correr sem destino e sem tempo certo para a mim voltar
Escrever o meu nome no azul do meu olhar de esperança
E abraçada à minha alma...voltar novamente a esse lugar
Queria não ter medo de viver...ter a paz de estar adormecida
Deixar este sentimento de não ser este cansaço de não estar
E como uma estrela cadente iluminar a noite em despedida
Nesse voo agonizante da gaivota perdida que volta ao mar
Queria voar para onde o meu corpo jaz...nas asas da morte
E pousar no mármore mais frio...afagar a noite mais escura
E no abismo mais profundo...partir para além do horizonte
Como se fosse pedra adormecida que no meu peito perdura
Queria ainda voltar ao caminho dos meus passos de criança
E nesta carne que me veste afagar a minha alma já cansada
De percorrer os labirintos que me levam à casa da infância
Como uma sombra errante procurando na noite a alvorada
Queria não ter presente nem passado nem este olhar sombrio
Que não sabe por quem chora se pela mulher ou pela criança
Se pelo meu fim ou meu começo ou pelo amor que me vestiu
E num gesto de abandono voltar aos labirintos da lembrança
Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)