Tenho dias que respirar é um acto heróico...levantar da cama é uma façanha...estar de pé é esmagador. Demasiado frágil para sustentar o corpo e lutando para me manter à tona e abraçar a vida com carinho.
Tenho dias que as forças me abandonam...que caminhar é uma batalha e continuar é quase impossível...mas continuo mesmo sem forças e por vezes sem vontade recuso-me a desistir mesmo morrendo tanta vez.
Tenho dias que só quero ficar quieta longe de tudo e de todos em silêncio. Mesmo que a tentação por vezes seja fechar os olhos e deixar-me ir para encontrar enfim a paz que desejo.
Quanto tempo tenho não sei...sei apenas que não vou ter tempo para tudo que queria fazer. Só agora recordo momentos que perdi e que não têm preço...beijos que não dei...palavras que não disse...abraços que não senti.
Embora tenha deixado pedaços de mim espalhados pelos caminhos que percorri estou presa dentro de um corpo que já não sinto meu...apenas vivendo o intervalo entre a chegada e a partida como se o tempo repousasse nos meus braços serenamente.
Por vezes estou viva...por vezes não respiro...por vezes não sou eu e aqui já não é o meu lugar. Sou o fundo do fim do fundo. Dentro de mim matei a vida. Fui princesa entre as demais e quis ser rainha...mas nada sou e nada espero...sou um prenúncio de morte...coração em chaga...alma cansada sem memória de nada...como se este mundo já não fosse meu.
Tenho dias que me sinto como se estivesse morta e tento salvar o que ainda resta de mim nesta força invisível que ainda tem esperança que talvez haja um amanhã menos pesado onde a vida seja mais suportável.
Tenho dias que renasço para morrer de novo até onde não aguentar mais e quando não tiver mais lágrimas deixem-me lavar o meu rosto com essência de ternura e aroma de rosmaninho como se fosse menina ainda de cabelos soltos ao vento correndo entre as searas na minha doce planície.
O coração ainda pulsa e eu insisto em existir!
Rosa Maria (Maria Rosa de Almeida Branquinho)








