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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

São de sangue os meus poemas...


Da cor dos meus poemas é o meu sangue...negro como a noite
Que me queima como brasa ...que me rasga a carne em ferida
Esse punhal com que me escrevo...aguçado e frio como a morte
Nesta ferida tão funda...derramada em cada palavra sem vida

Nos meus poemas há uma sede de vida...uma fome de infinito
Um desejo de eternidade...como lâmina de silêncio que me fere
Nesta dor surda com que apunhalei a verdade com que minto
Neste rosto que se cobriu de cinzas...neste amor que sabe a fel

Nos meus poemas há um grito que vem do coração...tão dorido
Como quem escreve na pedra dura...como quem morre em vão
Como quem chama por mim...fazendo das palavras um gemido
Quando no branco da folha...derramo a minha dor em oração

Nos meus versos há uma palavra intangível...a palavra amor
Que queria embalar nos meus braços e guardar no meu peito
Mas há um lugar sombrio onde apenas perdura a palavra dor
Que canto nos meus versos...como um negro amor perfeito

Nos meus versos ecôa um pedido de silêncio...num grito mudo
Vindo do fundo da alma...escorrendo-me da mão em desalento
Nos versos tristes e amargurados que docemente grito ao mundo
Mágoas que vou escrevendo na folha que se vestiu de cinzento

Há nos meus versos estranhas melodias...sorrisos amordaçados
Moradas de silêncio na noite escura onde me deito e adormeço
Sonhando que sou menina e os meus sonhos não foram rasgados
Pelo punhal com que me escrevo na folha branca onde anoiteço

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Talvez a noite te diga...


Talvez a noite te diga...do amor ardente que no meu peito ficou
Da infínita tristeza...do tempo em que não me amei...do cansaço
Talvez a noite te conte do frio que os meus desejos amordaçou
No silêncio do meu corpo...esquecido da ternura de um abraço

Talvez a noite te diga...do lugar frio onde a ausência adormece
Deitada sobre os véus negros da ilusão...onde morreu a ternura
No lugar vazio da espera...onde o meu corpo gelado amanhece
Preso nos braços dolentes da noite...onde o teu corpo é lonjura

Talvez a noite te diga...da dor que me queima o corpo e a alma
Que me rasga a pele...que me tortura os sentidos...que me fere
Talvez a noite te conte dos teus silêncios...das minhas mágoas
Dos teus lábios gelados...beijando o meu corpo nú de mulher

Talvez a noite te diga...do Inverno frio que cobre os meus braços
Das carícias abandonadas na minha pele vestida de esquecimento
Ébria de solidão e embalando na noite imensa os meus cansaços
Nas mãos despidas de ternura...na solitária cama onde me deito

Talvez a noite te diga...dos instantes brancos...do sono acordado
Dos lençóis vestidos de desejo...cobrindo o meu corpo a sangrar
Talvez a noite te conte...do silêncio que trago no peito sufocado
No grito a morrer dentro de mim...desta dor presa no meu olhar

Talvez a noite te diga...da ternura dos meus dedos...da distância
Dos meus lábios de fel perfumados...do sabor amargo do beijo
Das últimas rosas que perfumaram o meu corpo...da lembrança
Das sombras que desceram sobre mim...da mordaça do desejo

Talvez a noite te diga...dos ecos de solidão que o meu corpo sente
Da mulher que espera na luz da madrugada por uma gota de amor
Da desilusão onde o meu corpo anoitece...morrendo lentamente
Quando em ti me deito...coberta pelo manto negro da minha dor

terça-feira, 9 de julho de 2013

Que morte é esta que me afaga...



Que morte é esta que me afaga como se fosse amor...que me gela o corpo como se fosse noite...que muros são estes que me cortam os passos...que terra é esta que me chama num canto de vento nos ciprestes numa melodia que ecoa docemente como se fosse ternura...que mãos são estas que me tocam como se fossem mármore e eu fosse nada.
Que morte é esta que na noite me visita...me rasga o corpo e me beija a pele como se fosse a sombra da minha alma e me leva por infinitos corredores como se fosse a última morada das rosas...o último estertor da ilusão...o derradeiro beijo da solidão onde tudo é delírio...céu e inferno...desejo e loucura...sentir e não sentir esta morte que me tortura à flor da pele...nas raias do medo.
Que morte é esta que me doi tanto e se deita dentro de mim...que chora no meu regaço...bebe as minhas dores e beija as minhas lágrimas como se fossem o meu rosto...que me acaricia e me leva para as mãos frias da ausência nesse espaço onde não há memória...nesse vazio infinito a que me quero entregar como se fosses tu e adormecer serenamente como se fosse criança ainda.
Que morte é esta que se veste de cetim e que me olha enternecida e me chama para os seus doces braços de solidão e desencanto...que me alimenta a alma e me leva para o leito frio do amor como se o meu corpo fosse uma sombra quase bruma e eu fosse chão.
Que morte é esta que me deixa nua...que vem serena como a brisa afagando o meu corpo e pronunciando docemente o meu nome como se fosse a carne da minha carne adormecida no lençol púrpura dos amantes...sepúlcro onde emudecem todos os gemidos de amor...no frio da memória.
Que morte é esta que me prende com os seus longos braços e dança com a minha alma como se fosse o último sopro de vida...o ultimo suspiro de desejo...a última ilusão de um corpo sobre o meu corpo...como quem renasce para a vida...ou caminha para a eternidade.
Que morte é esta que apenas os meus olhos vêm...tão longe e tão perto...tão dentro e fora de mim...num murmúrio do fundo do tempo...num pulsar de gestos gastos...um tic-tac de relógios parados...na dor de querer e não querer ver as folhas de Outono que vêm cobrir o meu corpo...as andorinhas que vêm anunciar a Primavera onde não fui...o Verão onde não estou e o Inverno onde sou amante desta morte que cobre todo o meu ser como um afago de vento...um doloroso suspiro de amor.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Voltando...Com Saudades



SOU MULHER MADURA...

Sou mulher madura...tarde de Outono e fogo do sol poente
Trago na memória a terra ardente da minha planície dourada
Nas mãos tenho a doçura de Maio...seara que já foi semente
Trago no sangue raízes profundas...no ventre da terra lavrada

Sou mulher madura...trago no meu corpo as marcas do amor
Palavras e gestos gravados a fogo na alma que teima em viver
Trago sonhos desenhados no gume da faca...no dorso da dor
Desejos dormentes nas mãos...que teimam em não adormecer

Sou mulher madura...trago no meu olhar a imensidão do vazio
Neste sangue queimando-me as veias...presságio de tempestade
Minha poção de sicuta...que lentamente vou bebendo e esvazio
Todo o veneno que contém esse pó que se chama eternidade

Sou mulher madura...trago no meu rosto o clamor do vento suão
Nas mãos tenho o orvalho das manhãs o desassossego da noite
Sou o canto profundo da madrugada...sou o mármore da paixão
Sou um grito de revolta dentro e fora de mim...sou vento norte

Sou mulher madura...amante doce da noite...a sombra da lua
Sou o lado obscuro do espelho...o princípio e o fim da estrada
Nada foi meu...nem mesmo essa cama onde me entreguei nua
Nesse breve e fugaz instante onde fui em ti o sol da madrugada

Sou mulher madura...amei demais...chorei demais e não me amei
Sou a carícia de um gesto fingido...solitária ruína do que não fui
Sou eu a esconder o rosto entre a solidão...onde me enclausurei
Com o corpo rasgado...as veias em chaga onde o sangue não aflui

Sou mulher madura...trago na pele o cansaço de passadas auroras
No meu rosto um sorriso desfeito...na boca o silêncio duma prece
Cinzeladas a fogo na carne trago as ilusões de todas as demoras
Nos cabelos a cor das nuvens...marcas do tempo que se desvanece


Quero agradecer as palavras carinhosas que me deixaram na minha ausência. A minha "asinha" ainda não está a 100%, mas vou tentar visitar os vossos cantinhos, pedindo desde já desculpa se demorar mais que o costume.
Deixo o meu beijinho com carinho e muitas saudades.
Rosa