terça-feira, 9 de julho de 2013
Que morte é esta que me afaga...
Que morte é esta que me afaga como se
fosse amor...que me gela o corpo como se fosse noite...que muros são
estes que me cortam os passos...que terra é esta que me chama num
canto de vento nos ciprestes numa melodia que ecoa docemente como se
fosse ternura...que mãos são estas que me tocam como se fossem
mármore e eu fosse nada.
Que morte é esta que na noite me
visita...me rasga o corpo e me beija a pele como se fosse a sombra da
minha alma e me leva por infinitos corredores como se fosse a última
morada das rosas...o último estertor da ilusão...o derradeiro beijo
da solidão onde tudo é delírio...céu e inferno...desejo e
loucura...sentir e não sentir esta morte que me tortura à flor da
pele...nas raias do medo.
Que morte é esta que me doi tanto e se
deita dentro de mim...que chora no meu regaço...bebe as minhas dores
e beija as minhas lágrimas como se fossem o meu rosto...que me
acaricia e me leva para as mãos frias da ausência nesse espaço
onde não há memória...nesse vazio infinito a que me quero entregar
como se fosses tu e adormecer serenamente como se fosse criança
ainda.
Que morte é esta que se veste de cetim
e que me olha enternecida e me chama para os seus doces braços de
solidão e desencanto...que me alimenta a alma e me leva para o leito
frio do amor como se o meu corpo fosse uma sombra quase bruma e eu
fosse chão.
Que morte é esta que me deixa
nua...que vem serena como a brisa afagando o meu corpo e pronunciando
docemente o meu nome como se fosse a carne da minha carne adormecida
no lençol púrpura dos amantes...sepúlcro onde emudecem todos os
gemidos de amor...no frio da memória.
Que morte é esta que me prende com os
seus longos braços e dança com a minha alma como se fosse o último
sopro de vida...o ultimo suspiro de desejo...a última ilusão de um
corpo sobre o meu corpo...como quem renasce para a vida...ou caminha
para a eternidade.
Que morte é esta que apenas os meus
olhos vêm...tão longe e tão perto...tão dentro e fora de
mim...num murmúrio do fundo do tempo...num pulsar de gestos
gastos...um tic-tac de relógios parados...na dor de querer e não
querer ver as folhas de Outono que vêm cobrir o meu corpo...as
andorinhas que vêm anunciar a Primavera onde não fui...o Verão
onde não estou e o Inverno onde sou amante desta morte que cobre
todo o meu ser como um afago de vento...um doloroso suspiro de amor.quarta-feira, 26 de junho de 2013
Voltando...Com Saudades
SOU MULHER MADURA...
Sou mulher madura...tarde de Outono e
fogo do sol poente
Trago na memória a terra ardente da
minha planície dourada
Nas mãos tenho a doçura de
Maio...seara que já foi semente
Trago no sangue raízes profundas...no
ventre da terra lavrada
Sou mulher madura...trago no meu corpo
as marcas do amor
Palavras e gestos gravados a fogo na
alma que teima em viver
Trago sonhos desenhados no gume da
faca...no dorso da dor
Desejos dormentes nas mãos...que
teimam em não adormecer
Sou mulher madura...trago no meu olhar
a imensidão do vazio
Neste sangue queimando-me as
veias...presságio de tempestade
Minha poção de sicuta...que
lentamente vou bebendo e esvazio
Todo o veneno que contém esse pó que
se chama eternidade
Sou mulher madura...trago no meu rosto
o clamor do vento suão
Nas mãos tenho o orvalho das manhãs o
desassossego da noite
Sou o canto profundo da madrugada...sou
o mármore da paixão
Sou um grito de revolta dentro e fora
de mim...sou vento norte
Sou mulher madura...amante doce da
noite...a sombra da lua
Sou o lado obscuro do espelho...o
princípio e o fim da estrada
Nada foi meu...nem mesmo essa cama onde
me entreguei nua
Nesse breve e fugaz instante onde fui
em ti o sol da madrugada
Sou mulher madura...amei
demais...chorei demais e não me amei
Sou a carícia de um gesto
fingido...solitária ruína do que não fui
Sou eu a esconder o rosto entre a
solidão...onde me enclausurei
Com o corpo rasgado...as veias em chaga
onde o sangue não aflui
Sou mulher madura...trago na pele o
cansaço de passadas auroras
No meu rosto um sorriso desfeito...na
boca o silêncio duma prece
Cinzeladas a fogo na carne trago as
ilusões de todas as demoras
Nos cabelos a cor das nuvens...marcas
do tempo que se desvanece

Deixo o meu beijinho com carinho e muitas saudades.
Rosa
quinta-feira, 21 de março de 2013
DIA MUNDIAL DA POESIA
Queridas amigas e amigos...não poderia faltar aqui neste dia da poesia para dar os parabéns a todos os poetas e poetisas.
E deixar este selinho para
comemorar o Dia da Poesia e ao mesmo tempo agradecer o carinho que me
deixaram em cada palavra de afecto e ternura.
Estou melhorando, mas ainda me custa
muito escrever,não consigo estar muito tempo a digitar por isso peço desculpa de não agradecer
individualmente a cada amiga e amigo que por aqui passou desejando-me
as melhoras.
Espero voltar em breve...entretanto
deixo este texto que tinha escrito há algum tempo.
Um beijinho com carinho
Rosa
O selinho está aqui: http://rosasolidao2.blogspot.pt/
A poesia é uma viagem em silêncio entre a pele e a memória...um vôo ao infinito...uma descida ao inferno...feita de luz e sombras...ir além do corpo...penetrar na alma entre chegadas e partidas...
latejando no corpo em fogo...no desejo
a arder...vermelho e negro...começo e fim...morrer e renascer...o
autopsiar da alma entre o tempo e as memórias...o vermelho vivo do
sangue...a hemorragia que escorre dos dedos...é a poesia.
A poesia faz amor com as
palavras...devora bocados de solidão...despe-se na noite...veste-se
de parágrafos...bebe-se lentamente...soletra-se docemente...uma
página em branco esperando o derramar da ilusão...uma carícia
sensual escorrendo como um rio de emoções.
A poesia é a carícia dos dedos...a
voz que se entorna no papel...um grito mudo...um vazio intensamente
cheio...uma dança sensual...vestida de ausência e repleta de
silêncios.
A poesia é a maré dos corpos na
rebentação das águas...o inferno trocado por bocados de
eternidade...uma viagem de luz e sombra...na memória das
feridas...entre sonhos e delírios...o caos e a tempestade...entre o
céu e o inferno...está a poesia.
A poesia é um silêncio gritado na
cumplicidade das mãos...no vazio da noite...na loucura de todos os
poetas aprisionada no poema...uma armadura de aço que prende as
mãos... que amordaça os gestos numa estrada de silêncio que apenas
o poeta percorre...árido labirinto no vazio inabitável de lugar
nenhum.
A poesia é a loucura de todos os
poetas...os segredos da memória...prende e asfixia...escreve e
descreve quase nada e quase tudo...é a viagem de um fim
incerto...arquivos da mente a preto e branco...fragmentos do que se
quer dizer...gritos do que se quer calar.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Pausa...
Queridas amigas e amigos
Vou fazer uma pequena pausa...Tenho a
minha “asa” direita com uma tendinose, não consigo estar muito
tempo a escrever e como gosto de comentar com o carinho que merecem,
prefiro dar um tempo até as dores melhorarem, estou a tomar
anti-inflamatórios e relaxantes musculares, vamos ver se não demora
muito a fazer efeito.
Entretanto deixo o meu carinho de
sempre e um beijinho
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