terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Recorda-te de mim...
Quando enfim morrer o que no corpo
choro...recorda-te de mim
Esquece os vãos devaneios que mil
vezes chorando te segredei
Não lembres os sonhos que
sonhei...morreram meu amor sem ti
Agonizaram com os últimos desejos que
neste corpo amordacei
Quando do céu azul mais nada existir
que um muro de pedra fria
E de mim nada mais que um grito
mudo...uma sombra sem vida
Perfuma-me de violetas...veste no meu
corpo o véu de nostalgia
Esquece-te do meu nome e deixa-me
seguir essa estrela perdida
Quando a escuridão cobrir o meu olhar
nublado...acende uma vela
Aos meus desfeitos sonhos de amor que
em vida foram sepultados
São as rosas mortas que jazem a meu
lado...restos duma quimera
Que prendi nas mãos vazias e guardarei
no meu corpo sufocados
Quando de mim não restar mais nada que
o silêncio duma prece
E os sinos por mim dobrarem...deixa-me
meu amor partir enfim
Para o tempo além do tempo onde o que
me vestiu se desvanece
No mármore frio da ilusão...deixa-me
voar para longe de mim
Quando do meu rosto
anoitecido...docemente rolar uma lágrima
Guarda-a no teu coração...como um
derradeiro gemido de amor
Como o último gesto de ternura do meu
corpo vestido de mágoa
E eternamente abraçado pela sombra
silenciosa da minha dor
Quando as cores do sol poente...do meu
rosto frio se apagarem
Recorda-te de mim e deixa-me voar
livremente num céu só meu
Quando a noite deixar de amanhecer e os
meus olhos chorarem
É porque o meu corpo é eternidade e o
meu ventre adormeceu
sábado, 26 de janeiro de 2013
Mergulho em mim...
Mergulho em mim como se fosse o rio que
percorre os meus medos...as minhas alegrias...as minhas
tristezas...um mergulho no abismo onde não me consigo
encontrar...num labirinto a que não consigo dar nome...num caminho
entre o consciente e o inconsciente...entre o vazio e o nada.
Neste mergulho em mim...abracei o tempo
esquecido e voltei aos lugares onde a esperança era um campo de
papoilas...o meu corpo tinha ânsia de viver e cheiro de
madrugada...os meus sonhos tinham asas douradas e o silêncio era uma
suave melodia...um doce adormecer na noite perfumada de mistério
onde me sonhei menina vestida de tempo.
Neste deambular errante...nesta saudade
de mim tombou sobre o meu corpo a última gota de orvalho...sobre os
meus olhos desceu a noite imensa e fria onde queimei os últimos
sonhos...todas as certezas e todas as mágoas num travo amargo de
silêncio...cinza esmorecida da menina que fui...ilusão da mulher
que sou...na flor que se fez pedra parada por dentro do tempo
Respiro ainda mergulhada num mar de
ausência...revolvendo a terra húmida que me prende o corpo...nas
mãos que me emudecem os gestos...nas esperas que sabem a fel...na
noite que cheira a solidão...na procura que trago nos dedos...nas
ilusões tatuadas na pele...nas mortes escritas no tempo...nos
castelos que ergui nas areias e que o vento derrubou e o mar
sepultou.
Mergulho fundo...tão fundo por dentro
de mim e dispo todas as palavras...queimo todos os silêncios na
esperança de me encontrar...horas e horas a fio me procuro com o
olhar vestido de bruma...com os sentidos enevoados percorrendo os
corredores da alma onde uma onda de silêncio me faz mergulhar ainda
mais dentro de mim...num último gesto antes que o meu corpo seja
pó...que o meu nome seja apenas uma mera lembrança...um ténue
perfume que se desvanece num sopro de vento.
Não sei onde me levam os meus
passos...se ao meu encontro ou à minha partida...se ao céu ou ao
inferno...se à noite que trago dentro de mim ou à madrugada onde me
procuro sem encontrar fim nem luz...um espelho ilusório onde
permaneço como um corpo sem rosto...uma alma sem mim.
E...toco suavemente o limbo onde o meu
corpo está preso...adormecido pelo tempo sem paz...sem
descanso...silenciosamente inquieto e devastado pela chama que se
tornou na cinza dos meus sonhos e pergunto-me onde me perdi...onde
deixei os meus anseios na vida que está a anoitecer...para lá da
linha que quero e não quero transpor...nesse abismo que me
chama...nesse fio de luz que repousa sobre o silêncio onde me deixo
estar adormecida...tão longe de mim...num eterno sono.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O beijo da noite...
Deixa que a noite beije a minha
boca...que morda a minha sede
Que beba do meu ventre as cinzas do
orgasmo...o sabor do frio
No silêncio dos muros onde me deito...na
mordaça que me prende
Neste mar desejo que me incendeia como
se fosse fogo...ou rio
Deixa que os meus lábios
adormeçam...os meus olhos anoiteçam
Que o meu corpo desfaleça nos gestos
frios das chamas ardidas
Que o grito perdido por dentro da noite
se desfaça em silêncio
Deixa que nos meus sonhos adormeçam as
esperanças perdidas
Deixa que o meu corpo seja arrancado à terra...à noite roubado
Que seja tua a minha renúncia...que
rasgue as sedas do desejo
Nas mãos agonizantes da
madrugada...desse corpo amordaçado
Que te chama com ternura...no silêncio
dolorido de um beijo
Deixa que o meu corpo adormeça e que a
minha carne apodreça
Sobre esse mármore frio que me
aconchega como se fosse morte
Beijando a minha pele...como o sepúlcro
sombrio da tua ausência
Neste corpo sem memória...onde em
silêncio me abraça a noite
Deixa que a minha nudez seja o balsamo
da tua sombra errante
Os sargaços onde me aconchego quando
na noite fria te chamo
Na ilusão onde cada noite me abraço
na quimera dum instante
Inventando o teu corpo sobre o meu
corpo e solitária me amo
Deixa que o amor agonize nas paredes nuas da indiferença
Que o silêncio seja o meu grito da mulher que se esqueceu
Por entre a sombra doutro corpo onde a
presença é ausência
Sempre tão longe e tão perto dessa
louca mulher que morreu
Deixa que por um momento
apenas...invente um corpo de fogo
Desfaça as correntes e rasgue com as
minhas mãos este vazio
Calando este grito mudo...no mar de
silêncio onde me envolvo
Afastar os fantasmas e libertar-me
deste amor que me vestiu
domingo, 13 de janeiro de 2013
Selo Literário 2013
O Selo Literário 2013 "Leia Sempre", foi criado pela blogueira Érica Bosi como convite à Leitura
2 - Indicar 2 livros lidos em 2012
Citações e Pensamentos de Florbela Espanca
Gaveta de Papéis de José Luís Peixoto
Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen
3 - Indicar 3 livros que pretende ler em 2013
A Charneca ao entardecer de Florbela Espanca
Dentro do Segredo de José Luís Peixoto
Reler 100 anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez
Quero agradecer às amigas e amigo que me indicaram e pedir desculpa por não nomear ninguém.
Deixo para quem quizer levar está neste link :
Subscrever:
Mensagens (Atom)












