BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS

sábado, 8 de dezembro de 2012

FLORBELA ESPANCA...Morreu a 8 de Dezembro de 1930


A poeta morreu...na sombra dos ciprestes enfim descansou
Sobre uma lápide de mármore fria...efémero leito de rosas
Na suave ansiedade dos seus braços...a eternidade chamou
Adormeceu serenamente...num manto de sedas vaporosas

Nas suas doces mãos brancas afagou a morte...esqueceu a vida
Morreu só a poeta...numa melancólica tarde dum triste Inverno
Deixou um poema nunca lido...uma solidão por ninguém sentida
Nas mãos levou uma rosa...no olhar a planície seu refúgio eterno

Num frémito de liberdade...no ponto mais alto da sua solidão
Despida de todos os sonhos...partiu esse corpo de amor sedento
Sorrindo serena à madrugada...planou solta e livre na imensidão
Morreu a poeta...alcançou a liberdade na paz do esquecimento

Foi roseiral aberto em flor e triste papoila rubra vestida de dor
Caminhou por entre cardos e nos espinhos das rosas agonizou
Perfumou de sonhos a vida...em doces versos eternizou o amor
Aconchegada nas asas brancas da eternidade enfim descansou

Sobre um leito de flores deitada...nos braços da paz adormecida
Como uma pena tranquila voôu...envolta em nuvens de alvorada
Éterea imagem vestindo os versos tristes com que perfumou a vida
De mágoas vestiu os sonhos que sepultou na sua planicie dourada

Na quietitude da sua charneca...partiu esta alma serenamente
Na luz branca e fria do amanhecer...rasgando a treva na noite
No regaço frio da ausência...partiu a poeta serena e docemente
Como um anjo triste subiste ao céu...nos doces braços da morte

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

VESTIDA DE DESEJO...


Hoje vou despir-me sem pudor...despir o corpo e a alma...despir-me de tudo o que me prende...despir até a pele que me cobre...sem reservas...libertar os medos...dizer palavras inconfessáveis que no meu corpo gritam...hoje vou sonhar-me nos meus versos...inventar-me nos meus dedos...vestir-me de outra pele.
Hoje vou ser a outra de mim...vou trocar de lugar com uma poetisa que escreve a sensualidade como ninguém...que escreve com a paixão na ponta dos dedos.

Esta postagem é um desafio entre a ROSA SOLIDÃO e a LUZ PAIXÃO...hoje eu visto o vermelho da paixão e ela vai vestir o meu negro manto de solidão.

Visitem o blogue da Luz aqui:
afetosecumplicidades.blogspot.pt/


VESTIDA DE DESEJO

Tece fios de madrugada no meu ventre...desejos na minha boca
Em ti me perco...em mim te abres na incandescência da loucura
No delírio dos corpos...nos desvarios da paixão...toma-me louca
Quando num êxtase de volúpia...saciado te derramas em ternura

Deixa-me mergulhar no teu corpo...nua...tua...vestida de desejo
Vem acender o meu fogo...aquecer o meu sangue...sem pudor
Sobre a minha pele escaldante...deixa a seiva doce do teu beijo
Onde morro e renasço e o teu corpo derrama a semente do amor

Por um instante...vem e bebe do meu corpo a volúpia do prazer
Neste rio de lava ardente que por mim corre...que em ti deságua
Vem...dá-me o teu corpo...morde a minha boca...possui o meu ser
Na ansia de ser tua...na vontade de ser lua...na sede de estar nua

Bebe-me meu amor...como um vinho de Outono...lentamente
Faz do meu corpo a tua taça...saboreia-me inteira dentro de ti
Percorre a minha pele sedenta...deixa-me abrir em flor e sente
Esta febre que me devora...este perfume de cio a abrir em mim

Deixa a tua boca na minha...sacia esta sede louca e desvairada
Beija o meu corpo nu...embriaga-te deste orgasmo que te dou
Bebe-me inteira...apaga a tua chama na minha boca orvalhada
Que a minha nudez te encendei no fogo que meu corpo guardou

Rasga a seda que cobre o meu corpo...faz-me gemer de prazer
Em vermelha sedução faz-me tua...sedenta e a ti abandonada
Morde o meu beijo...incendeia o meu corpo no desejo a arder
Deixa que as minhas mãos te afaguem febris até de madrugada

Que a tua boca seja o beijo entre os meus seios...o sabor do mel
Na nudez dos nosso corpos...prende-me em ti insaciável e louca
Desliza suavemente os teus dedos pelo meu desejo de mulher
E deixa-me morrer por um instante no fogo ardente da tua boca

Deixa-me afogar no sabor do teu cio...por entre ondas de prazer
Deita o teu no meu corpo...deixa-me mergulhar na lava ardente
Deixa-me beber-te lentamente...até ao mais profundo do meu ser
Deixa-me morrer e renascer nos teus braços...voluptuosamente

Toma-me...nua...pétala de rosa perfumada...de desejo vestida
Desliza as tuas mãos na minha pele...acende a noite em mim
Cobre-me com a nudez do teu corpo...doida enlouquecida
Despe-me meu amor lentamente o profano vestido de carmim

Deixa-me ser o teu lençol de cetim...o teu desejo mais ardente
Mulher perdida na ondulação dos desejos..indecente e pura
Deixa sentir a volúpia das tuas mãos afagando o meu ventre
Deixa-me ser o véu da madrugada...o teu poente de loucura


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Verso e Reverso...


Há nos meus versos...verso e reverso...silêncio e pranto
Visto-me e dispo-me...rio e choro...troco a pele...faço amor
Da noite faço dia...da solidão ilusão...sou nada e sou tanto
Solta e prisioneira...amarga e doce...há em mim ternura e dor

Sou a claridade...a escuridão da noite...o desejo da madrugada
Outono e Primavera...Inverno e Verão...sou a flor...sou o cardo
Desço ao inferno...sou alma errante...sou esquecida e lembrada
Sonhos desfeitos...amores negados...sentimento amordaçado

Sou a morte...a vida...o abismo...envolvendo-me num abraço
Anoiteço e amanheço...sou o tempo e a pausa...o sim e o não
Sou filha da tempestade...sou o medo...o segredo...o cansaço
Sou vento e chuva...gotas de ternura...claridade e escuridão

Sou o mar salgado...a lágrima...o crepúsculo do amanhecer
Sou a renúncia do meu corpo em flor...sou ternura e solidão
Sou passiva e passional...espalho flores na minha mágoa
Sou luz e sombra...esquecida e esquecendo...sou maldição

Há dias em que sou noite...que me esqueço...não me quero
Há dias que sou vendaval...tempestade...um mar de ilusão
Há dias que sou ave vagando na noite...onde não me espero
Há dias que sou madrugada...há dias que me visto de paixão

O deserto atravessa-me o corpo...o vazio magoa-me o coração
Encontro-me e perco-me...procuro-me na outra que não sou eu
Escrevo-me...reescrevo-me...sempre no meu peito esta solidão
Esta sombra que me acompanha a sombra da outra que morreu

Sou tantas e não me encontro...de todas elas me perdi
Escrevo-me e apago-me...perdida...não sou ninguém
Já não moro aqui...por vales profundos caminharei
Sinto o cansaço das noites...sinto o cansaço de mim

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

VESTIDA DE BRUMA...



Hoje quero ouvir o lamento de todos os sonhos aprisionados nas águas sombrias..quero escutar o silêncio do vento...o eco das tempestades...um grito que teima em rasgar as paredes frias desse silêncio...como luz que se apaga e permanece na melancolia de fim de tarde...numa consciência infinita de ilusões desencontradas...um desfiladeiro das cartas em branco das almas... talvez restos das palavras ditas em silêncio...numa lágrima que se solta de um olhar no abismo de todas as palavras que gemem a última rima dum poema...acorrentado num resto de horizonte arrastando os sonhos...um afago de futuro...uma sombra de passado...num olhar eternamente anoitecido...apenas um breve sorriso levado pelo vento.
Nas noites por dormir vou ao inferno...escrevo-me...grito o vazio...sufoco o desejo no meu corpo...bebo o fel da solidão...o desalento das madrugadas...o cansaço das horas...a morte antes da morte...o crepúsculo preso nas minhas mãos vazias...dos meus braços sem mim...no meu rosto chorando a noite...chorando-me num pranto velado para não acordar os fantasmas...os medos...os infernos...num eterno grito
Hoje rasguei os meus versos...esqueci as rimas...rasguei tudo que me vestiu...amordacei a mágoa...parei a hemorragia que me escorria dos dedos...desencontrei-me da vida...desnudei a alma...sepultei as palavras e anoiteci.
Hoje é nos recantos da minha memória que te sinto...apenas te sinto porque não estás...há apenas uma lápide com um poema de amor...em branco
Hoje vou guardar os espinhos...beber os versos na noite...embriagar-me de silêncio...aprisionar o oceano nos meus olhos e vestir as horas com a tua lembrança.
Sabes meu amor...as minha asas estão cansadas...os teus braços estão distantes...o céu está tão longe das minhas mãos e o luar já não ilumina o meu rosto...hoje vagueio na noite vestida de bruma.